16 de dezembro de 2010

centro de tudo

Abre os olhos!
Nem tudo gira à tua volta...
Não és o centro da gravidade,
Não és o centro do mundo,
muito menos do Universo,
Nem tudo orbita em torno de ti!
Não imponhas nada,
não queiras permanecer imóvel,
passiva.
Cresce, aprende, muda!
Vive, ama, luta!
Faz por ti, faz pelos outros,
esforça-te sempre mais.
Eu permaneço por cá,
mas só se aceitares estas condições.
"Na terra dos sonhos,
podes ser quem tu és,
ninguém te leva a mal."
Podes sempre ser tu,
mas podes pensar nos outros,
sendo tu.
Não tens de mudar o que és,
quem és,
para pensar nos outros.
Ao pensares nos outros estás a pensar em ti!
Porque só assim te vais sentir bem,
acredita!
Por isso,
pensa em ti,
porque se assim pensares, vais ver
que vais querer pensar nos outros,
pois só assim podes ser feliz...

Ser o centro de tudo,
não é pensar em ninguém,
além de si.
Tenho a certeza que não queres isso,
só que ainda não percebeste,
que te pões,
a ti mesma,
no centro de tudo!
Não ponhas...
Sai do meio da roda,
vem para a roda,
dá-nos a mão.
É melhor assim,
sabe melhor,
sentir-te-ás melhor,
vais ver!

9 de dezembro de 2010

Uma viagem

- Nunca mais a vou ver?

Os seus olhos brilhavam, hesitantes, não sabendo que resposta iria ouvir. Um misto de dúvida e de esperança. Estava dividido, confuso, perdido, chocado. Não sabia se teria ouvido bem. Não sabia se teria sonhado.

- Não, mas ela vai estar sempre aqui. Apenas partiu em viagem e por isso não a vais ver, a partir de agora. Não a vais ver como dantes. Não lhe podes ligar para falar com ela. Mas sabes… basta falares com ela que de certeza te ouvirá.

- E se eu sentir saudades? Não queria que tivesse partido… Nem se despediu porquê? Já não gosta de mim?

- Não sejas tonto! Claro que gosta de ti, ama-te. Como sempre e mais do que nunca! Mas teve de ser… E não houve tempo para despedidas… Só isso! Se sentires saudades pensas nela, nos bons momentos, nas coisas boas. Já és crescidinho e és forte, sei que consegues. E não estás sozinho, eu estou contigo, estamos contigo.

- Mas para onde foi? Ela está bem?

- Eu também não sei para onde foi. Ela também não teve tempo para se despedir de mim. Mas acredito que está bem sim, que está num sítio melhor. Num sítio onde reina a paz, o sol brilha o dia todo, não há escuridão. Lembraste do sorriso dela? Imagino-a a sorrir neste sítio belo. Lembraste como era bonita? Ali, com aquele sol a iluminá-la todo o dia, está mais bonita do que nunca, está linda!

- Ela está muito longe agora? É muito longe esse sítio?

- É sim, muito longe. Muito para lá do céu! Agora é de noite, mas olha para cima… É escuro, o céu… mas tem estrelas! No sítio onde ela está não há este céu escuro que vês, só a luz radiante das estrelas. Ela, neste momento, é assim como uma estrela. Cheia de luz. E podes lembrar-te dela quando olhares para o céu. Sempre.

- Então… ela é aquela estrela! (ele aponta, decidido) É a mais brilhante, a mais bonita. De certeza que é ela…

5 de dezembro de 2010

Deixar de fumar

Quando se começa um vício,
não estamos conscientes
de que um vício
é um vício.
Sabe-nos bem,
queremos mais.
Começamos com pouco,
no dia seguinte fumamos um cigarro,
no outro dois,
até ser natural.
Até nos apercebermos de que estamos a fumar.
E percebermos que sabe bem.
Criamos as horas, as rotinas, os momentos,
em que o tempo é ocupado nesse vício,
de fumar.
Se antes líamos, escrevíamos, víamos a novela,
agora fumamos.

Um dia,
fumamos o maço todo.
No seguinte,
não temos cigarros.

Ora,
à partida achamos que não faz mal.
Compramos cigarros nesse mesmo dia,
ou no seguinte.
Nenhuma loja tem,
esgotaram-se os cigarros!
E agora?!
Ok, afinal há uma lojinha que tem mais um maço.
Fumamo-lo todo,
sem pensar,
sem repartir pelos dias.
E ficamos outra vez sem cigarros.

Até que percebemos,
que por muito bem que saiba este vício,
se calhar é melhor deixar de fumar.
Faz-nos melhor,
a longo prazo...

E alguém já experimentou a dificuldade de deixar de fumar?
Têm de criar-se novos hábitos,
para preencher o vazio
daquele vício
que nos sabia tão bem.

Mas continuamos,
com a leve esperança
de encontrar um maço perdido algures
na mala,
ou ao menos um cigarro,
por muito que saibamos que deveríamos deixar de fumar
de vez.



(Quero esclarecer que não fumo, han?)

3 de dezembro de 2010

viagem

Hoje fiz uma viagem, uma viagem a mim!
Fiz por me perder em Lisboa, nessa minha cidade que nem eu conheço.
Qual turista em terra desconhecida, vagueei, deambulei e entrei a medo num lugar.
Ele estava lá!
Uma capelinha por entre ruelas mais estreitas que eu (e sou bem estreita!), cheia de Amor.
Cheguei, sentei-me, conversamos.
Estavam lá umas (poucas) senhoras idosas a cantar. Cantei com elas.
Seguiu-se a Adoração ao Santíssimo, a recitação do rosário e a Eucaristia.
Sem estar à espera estive com Ele. Sem programar, sem pensar.
Perdida encontrei-me.
Só quando me perco me posso encontrar.
Só quando me dispo de mim, posso chegar ao essencial.

Soube mesmo bem :)

2 de dezembro de 2010

Um sonho...

Quando se vive um sonho,
tem de se perceber que não se está a viver.
Sonhar é isso mesmo.
Só.
Por muito real que achemos o sonho,
ele não passa do que é,
um sonho.
Podemos não querer acabar o sonho,
querer mais.
Mas acordamos sempre.
E voltamos à vida,
ao real.
O sonho fica no lugar dele,
na imaginação,
no suspiro,
no "se", no "gostaria que".
O real é que conta.
Viver sonhando não é viver.
É sonhar.