30 de novembro de 2010

Um novo amigo

- Amiga, podes vir brincar comigo amanhã?
Os seus olhos fitaram-me, aguardando a minha resposta.
- Amanhã não sei, mas prometo que volto!
- Está bem. Agora vou papar, a minha barriga tem fome. Adeus!
- Adeus, amigo!
E abraçou-me.
Despediu-se de mim, como se sempre me conhecera.
Era meu amigo, agora.

24 de novembro de 2010

Adeus

Partiste.
Finalmente deixei de te ver,
lá ao fundo.
Já não choro,
aceito,
fico feliz.
Estou muito melhor assim,
sem ti.
Fazias-me mal
e nem sabia.
Agora sei-o bem.
Adeus.

6 de novembro de 2010

uma lição de vida :)

"It's important to have a sufficiently elevated life-condition so that you can calmly accept whatever happens in life, always striving to put problems into proper prerspective and to solve them with a positive attittude. Happiness blossoms forth from such a strong and all-encompassing life condition."

Daisaku Ikeda.

3 de novembro de 2010

(re)começar

Finalmente sinto-me viva.
Começas a sair de mim
e a tua ausência já não me causa sofrimento,
habituo-me a ela
e ao que tenho agora na minha vida.
Estou feliz,
sinto-me forte
e avanço neste (longo) caminho
que é a vida.
Já sorrio, já me divirto,
já sou eu,já me reconheço,
a Joana de outrora.
Estou grata pelo que tenho,
pelo que vou descobrindo em mim,
dia após dia,
pelo que tenho conseguido,
pelo que tenho construído.
Sinto orgulho em mim
e prazer por viver.

18 de outubro de 2010

Abandono




Choro.
Deixaste-me,
o vazio apodera-se de mim.
Sou só silêncio
e recordações.
Ainda te ouço
(fecho os olhos)
e vejo e sinto,
mas já não estás.
Partiste
e levaste-me contigo.
Esta já não sou eu,
eu fui contigo.
Sonho contigo.
(Talvez tenhas sido sempre um sonho)
Olho-me ao espelho
e não me vejo,
não me reconheço.
Vejo-te a ti.
O meu corpo ainda é teu,
como foi um dia
e (talvez) sepre o será.
Mas tu não queres saber,
foste embora
e eu já não te interesso
(alguma vez te interessei?)
Vieste,
apaixonei-me,
amei-te,
partiste.
Não sei de ti,
"é melhor assim"
dizes-me.
"Porquê?
Para quem?
Para quê?"
Mas nem me respondes,
continuas a viver,
sem mim,
a tua vida,
no teu mundo
(que outrora achei meu).
Só,
tento voltar à vida,
voltar a viver,
sem ti.

Um dia vou conseguir.

vazio

O vazio aperta.
Olho pela janela. É de noite.
Há meses não estava em casa a olhar a janela,
perdida no vazio.
Estava contigo.
Estavamos por aí.

Quantas noites agora, só, me perco na janela,
na televisão,
na parede branca?
Algo que me distraia de ti.
Não sei nada teu,
nao sei de ti,
para ti morri.
Não sei nada
e o vazio aperta.

13 de outubro de 2010

Ainda sou tua

Ainda sou tua,
O meu corpo ainda é teu,
O espelho ainda reflecte a tua imagem.

Gostava de já não ser tua,
Gostava que o meu corpo já não te pertencesse,
mas pertencesse a quem nunca deveria ter deixado de pertencer,
a mim.

É difícil reconhecer-me de volta,
aceitar-me de novo,
acolher-me outra vez.
Como a mãe que rejeita a cria,
apesar de ser sua.
Porque já cresceu, já está diferente, já não a reconhece.

Assim sou eu,
Já não me reconheço.
Porque um dia fui tua,
Porque ainda o sou.