3 de novembro de 2010

(re)começar

Finalmente sinto-me viva.
Começas a sair de mim
e a tua ausência já não me causa sofrimento,
habituo-me a ela
e ao que tenho agora na minha vida.
Estou feliz,
sinto-me forte
e avanço neste (longo) caminho
que é a vida.
Já sorrio, já me divirto,
já sou eu,já me reconheço,
a Joana de outrora.
Estou grata pelo que tenho,
pelo que vou descobrindo em mim,
dia após dia,
pelo que tenho conseguido,
pelo que tenho construído.
Sinto orgulho em mim
e prazer por viver.

18 de outubro de 2010

Abandono




Choro.
Deixaste-me,
o vazio apodera-se de mim.
Sou só silêncio
e recordações.
Ainda te ouço
(fecho os olhos)
e vejo e sinto,
mas já não estás.
Partiste
e levaste-me contigo.
Esta já não sou eu,
eu fui contigo.
Sonho contigo.
(Talvez tenhas sido sempre um sonho)
Olho-me ao espelho
e não me vejo,
não me reconheço.
Vejo-te a ti.
O meu corpo ainda é teu,
como foi um dia
e (talvez) sepre o será.
Mas tu não queres saber,
foste embora
e eu já não te interesso
(alguma vez te interessei?)
Vieste,
apaixonei-me,
amei-te,
partiste.
Não sei de ti,
"é melhor assim"
dizes-me.
"Porquê?
Para quem?
Para quê?"
Mas nem me respondes,
continuas a viver,
sem mim,
a tua vida,
no teu mundo
(que outrora achei meu).
Só,
tento voltar à vida,
voltar a viver,
sem ti.

Um dia vou conseguir.

vazio

O vazio aperta.
Olho pela janela. É de noite.
Há meses não estava em casa a olhar a janela,
perdida no vazio.
Estava contigo.
Estavamos por aí.

Quantas noites agora, só, me perco na janela,
na televisão,
na parede branca?
Algo que me distraia de ti.
Não sei nada teu,
nao sei de ti,
para ti morri.
Não sei nada
e o vazio aperta.

13 de outubro de 2010

Ainda sou tua

Ainda sou tua,
O meu corpo ainda é teu,
O espelho ainda reflecte a tua imagem.

Gostava de já não ser tua,
Gostava que o meu corpo já não te pertencesse,
mas pertencesse a quem nunca deveria ter deixado de pertencer,
a mim.

É difícil reconhecer-me de volta,
aceitar-me de novo,
acolher-me outra vez.
Como a mãe que rejeita a cria,
apesar de ser sua.
Porque já cresceu, já está diferente, já não a reconhece.

Assim sou eu,
Já não me reconheço.
Porque um dia fui tua,
Porque ainda o sou.

9 de outubro de 2010

Estou cansada

Estou cansada das pessoas.
Estou cansada de jogos,
de sentimentos maus,
de me desiludir,
de ver coisas onde não existem.
Ou existiram?
Amizades que não foram mais
do que sonhos na minha cabeça.
Ando a sonhar muito...
As pessoas cansam-me
porque conseguem ser desumanas às vezes.
Gostam de fingir ser o que não são,
de dizer que são e não são nada.
O cansaço tira-me as forças,
existir custa!
Na nossa ingenuidade nada fizemos
e acusam-nos de termos feito,
de termos dito.
E desiludem-se connosco.
E eu desiludo-me com elas,
as pessoas.

Estou cansada.

3 de outubro de 2010

Como eu

Hoje o dia chorou, como eu.
Se calhar também está triste, como eu.
Ou triste, ou pensativo, ou melancólico.
Se calhar descobriu que não valeu a pena,
que tudo foi em vão.
Se calhar viu o futuro destruído a seus pés,
o presente um turbilhão,
o passado uma recordação.
Se calhar não é amado,
como eu.

28 de junho de 2010

Firmin, Sam Savage


"Encontrei conforto na ideia ridícula de que tinha um Destino. E comecei a viajar no espaço e no tempo, através dos livros, para o procurar."

Que livro lindo! Está a ser delicioso lê-lo (já há muito tempo que nenhum livro o era...) Aconselho mais que vivamente!!
Firmin é um "rato de biblioteca" enternecedor *.* Pela sua incapacidade de odiar, pelo amor que sente pelas coisas, na vontade de as amar, no querer entender o mundo e todas as regras que o constituem, em tentar compreender o comportamento dos homens ensina-nos a não perder a capacidade de amar. Um ratinho com muito a ensinar ao ser humano!! Façam o favor de ler...