18 de outubro de 2010

vazio

O vazio aperta.
Olho pela janela. É de noite.
Há meses não estava em casa a olhar a janela,
perdida no vazio.
Estava contigo.
Estavamos por aí.

Quantas noites agora, só, me perco na janela,
na televisão,
na parede branca?
Algo que me distraia de ti.
Não sei nada teu,
nao sei de ti,
para ti morri.
Não sei nada
e o vazio aperta.

13 de outubro de 2010

Ainda sou tua

Ainda sou tua,
O meu corpo ainda é teu,
O espelho ainda reflecte a tua imagem.

Gostava de já não ser tua,
Gostava que o meu corpo já não te pertencesse,
mas pertencesse a quem nunca deveria ter deixado de pertencer,
a mim.

É difícil reconhecer-me de volta,
aceitar-me de novo,
acolher-me outra vez.
Como a mãe que rejeita a cria,
apesar de ser sua.
Porque já cresceu, já está diferente, já não a reconhece.

Assim sou eu,
Já não me reconheço.
Porque um dia fui tua,
Porque ainda o sou.

9 de outubro de 2010

Estou cansada

Estou cansada das pessoas.
Estou cansada de jogos,
de sentimentos maus,
de me desiludir,
de ver coisas onde não existem.
Ou existiram?
Amizades que não foram mais
do que sonhos na minha cabeça.
Ando a sonhar muito...
As pessoas cansam-me
porque conseguem ser desumanas às vezes.
Gostam de fingir ser o que não são,
de dizer que são e não são nada.
O cansaço tira-me as forças,
existir custa!
Na nossa ingenuidade nada fizemos
e acusam-nos de termos feito,
de termos dito.
E desiludem-se connosco.
E eu desiludo-me com elas,
as pessoas.

Estou cansada.

3 de outubro de 2010

Como eu

Hoje o dia chorou, como eu.
Se calhar também está triste, como eu.
Ou triste, ou pensativo, ou melancólico.
Se calhar descobriu que não valeu a pena,
que tudo foi em vão.
Se calhar viu o futuro destruído a seus pés,
o presente um turbilhão,
o passado uma recordação.
Se calhar não é amado,
como eu.

28 de junho de 2010

Firmin, Sam Savage


"Encontrei conforto na ideia ridícula de que tinha um Destino. E comecei a viajar no espaço e no tempo, através dos livros, para o procurar."

Que livro lindo! Está a ser delicioso lê-lo (já há muito tempo que nenhum livro o era...) Aconselho mais que vivamente!!
Firmin é um "rato de biblioteca" enternecedor *.* Pela sua incapacidade de odiar, pelo amor que sente pelas coisas, na vontade de as amar, no querer entender o mundo e todas as regras que o constituem, em tentar compreender o comportamento dos homens ensina-nos a não perder a capacidade de amar. Um ratinho com muito a ensinar ao ser humano!! Façam o favor de ler...

10 de abril de 2010

Teatro

" NINA - Olhe que é difícil representar na sua peça. É uma peça em que não há pessoas vivas.
TRÉPLEV - Pessoas vivas! A vida não tem que ser representada como é nem como deveria ser, mas como se nos afigura nos sonhos."

A Gaivota
Anton Tchékhov

22 de março de 2010

Grande? Não, pequena!

A tua grandeza é a minha pequenez.
A tua riqueza faz-me sentir pequenina.
Eu sou eu.
Sei disso.
Mas é tão difícil ser eu,
quando és grande
quando mostras ser rico,
quando me tornas nada na tua importância.

Não posso ser eu,
mas não posso ser como tu.
Porque não sou tu.
Sou eu.

A diferença faz-me pequenina,
mas não posso ser grande,
porque és demasiado grande
e preenches tudo
e não há espaço para mim.

Não sobra nada.
Só eu e a tua riqueza.

Nem notas em mim
Nem vês a minha pequenez.
Mas eu vejo.
Mas eu sinto.