Ainda sou tua,
O meu corpo ainda é teu,
O espelho ainda reflecte a tua imagem.
Gostava de já não ser tua,
Gostava que o meu corpo já não te pertencesse,
mas pertencesse a quem nunca deveria ter deixado de pertencer,
a mim.
É difícil reconhecer-me de volta,
aceitar-me de novo,
acolher-me outra vez.
Como a mãe que rejeita a cria,
apesar de ser sua.
Porque já cresceu, já está diferente, já não a reconhece.
Assim sou eu,
Já não me reconheço.
Porque um dia fui tua,
Porque ainda o sou.
13 de outubro de 2010
9 de outubro de 2010
Estou cansada
Estou cansada das pessoas.
Estou cansada de jogos,
de sentimentos maus,
de me desiludir,
de ver coisas onde não existem.
Ou existiram?
Amizades que não foram mais
do que sonhos na minha cabeça.
Ando a sonhar muito...
As pessoas cansam-me
porque conseguem ser desumanas às vezes.
Gostam de fingir ser o que não são,
de dizer que são e não são nada.
O cansaço tira-me as forças,
existir custa!
Na nossa ingenuidade nada fizemos
e acusam-nos de termos feito,
de termos dito.
E desiludem-se connosco.
E eu desiludo-me com elas,
as pessoas.
Estou cansada.
Estou cansada de jogos,
de sentimentos maus,
de me desiludir,
de ver coisas onde não existem.
Ou existiram?
Amizades que não foram mais
do que sonhos na minha cabeça.
Ando a sonhar muito...
As pessoas cansam-me
porque conseguem ser desumanas às vezes.
Gostam de fingir ser o que não são,
de dizer que são e não são nada.
O cansaço tira-me as forças,
existir custa!
Na nossa ingenuidade nada fizemos
e acusam-nos de termos feito,
de termos dito.
E desiludem-se connosco.
E eu desiludo-me com elas,
as pessoas.
Estou cansada.
3 de outubro de 2010
Como eu
Hoje o dia chorou, como eu.
Se calhar também está triste, como eu.
Ou triste, ou pensativo, ou melancólico.
Se calhar descobriu que não valeu a pena,
que tudo foi em vão.
Se calhar viu o futuro destruído a seus pés,
o presente um turbilhão,
o passado uma recordação.
Se calhar não é amado,
como eu.
Se calhar também está triste, como eu.
Ou triste, ou pensativo, ou melancólico.
Se calhar descobriu que não valeu a pena,
que tudo foi em vão.
Se calhar viu o futuro destruído a seus pés,
o presente um turbilhão,
o passado uma recordação.
Se calhar não é amado,
como eu.
28 de junho de 2010
Firmin, Sam Savage

"Encontrei conforto na ideia ridícula de que tinha um Destino. E comecei a viajar no espaço e no tempo, através dos livros, para o procurar."
Que livro lindo! Está a ser delicioso lê-lo (já há muito tempo que nenhum livro o era...) Aconselho mais que vivamente!!
Firmin é um "rato de biblioteca" enternecedor *.* Pela sua incapacidade de odiar, pelo amor que sente pelas coisas, na vontade de as amar, no querer entender o mundo e todas as regras que o constituem, em tentar compreender o comportamento dos homens ensina-nos a não perder a capacidade de amar. Um ratinho com muito a ensinar ao ser humano!! Façam o favor de ler...
10 de abril de 2010
Teatro
" NINA - Olhe que é difícil representar na sua peça. É uma peça em que não há pessoas vivas.
TRÉPLEV - Pessoas vivas! A vida não tem que ser representada como é nem como deveria ser, mas como se nos afigura nos sonhos."
A Gaivota
Anton Tchékhov
TRÉPLEV - Pessoas vivas! A vida não tem que ser representada como é nem como deveria ser, mas como se nos afigura nos sonhos."
A Gaivota
Anton Tchékhov
22 de março de 2010
Grande? Não, pequena!
A tua grandeza é a minha pequenez.
A tua riqueza faz-me sentir pequenina.
Eu sou eu.
Sei disso.
Mas é tão difícil ser eu,
quando és grande
quando mostras ser rico,
quando me tornas nada na tua importância.
Não posso ser eu,
mas não posso ser como tu.
Porque não sou tu.
Sou eu.
A diferença faz-me pequenina,
mas não posso ser grande,
porque és demasiado grande
e preenches tudo
e não há espaço para mim.
Não sobra nada.
Só eu e a tua riqueza.
Nem notas em mim
Nem vês a minha pequenez.
Mas eu vejo.
Mas eu sinto.
A tua riqueza faz-me sentir pequenina.
Eu sou eu.
Sei disso.
Mas é tão difícil ser eu,
quando és grande
quando mostras ser rico,
quando me tornas nada na tua importância.
Não posso ser eu,
mas não posso ser como tu.
Porque não sou tu.
Sou eu.
A diferença faz-me pequenina,
mas não posso ser grande,
porque és demasiado grande
e preenches tudo
e não há espaço para mim.
Não sobra nada.
Só eu e a tua riqueza.
Nem notas em mim
Nem vês a minha pequenez.
Mas eu vejo.
Mas eu sinto.
9 de outubro de 2009
Aula de Introdução ao Estudo da Literatura
"Será melhor chamar-lhe, então, reunião de várias componentes vivas, movidas por um espírito único. As componentes vivas são as palavras, as imagens, os ritmos. O espírito é a vida que as habita quando tudo converge para a mesma finalidade. É impossível dizer o que acontece primeiro, se são as diferentes partes a surgir se é o espírito que as comanda. Mas se qualquer uma delas estiver morta... se, no acto de ler, algumas das palavras, das imagens, dos ritmos, não contiverem vida em si... então o novo ser fica mutilado e o espírito doente. É por isso que, enquanto poeta, cada um deve certificar-se de que todas as componentes sobre as quais se pode exercer controlo, as palavras, as imagens, os ritmos, existem coisas como coisas vivas."
TED HUGHES, O fazer da Poesia
Hoje, na minha aula de Introdução ao Estudo da Literatura, a minha disciplina favorita, debatemos o papel do poeta e a sua relação com as palavras. Ora esta relação mais não é do que uma relação entre o criador e a matéria prima, ao passo que o falante comum apenas se serve das palavras, como se estas fossem um prolongamento do seu corpo, dos seus sentidos.
E a nossa relação com as palavras qual é?
TED HUGHES, O fazer da Poesia
Hoje, na minha aula de Introdução ao Estudo da Literatura, a minha disciplina favorita, debatemos o papel do poeta e a sua relação com as palavras. Ora esta relação mais não é do que uma relação entre o criador e a matéria prima, ao passo que o falante comum apenas se serve das palavras, como se estas fossem um prolongamento do seu corpo, dos seus sentidos.
E a nossa relação com as palavras qual é?
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