
pois é! cá estou eu de novo! visto ninguém conseguir comentar o meu outro blog (novo) decidi voltar ao velho. os motivos que me levaram a abandonar este, se bem se recordam eram dois: não conseguia aceder a este às vezes (ainda não percebi bem porquê); trazia-me más recordações e portanto queria andar com a minha vida para a frente. como consegui, acho que não devemos apagar o passado, porque ele faz parte do presente, pois sem passado é impossivel haver presente não é? :P
Sendo assim, já se passou muita coisa desde o meu último post aqui. conforme me for lembrando, vou escrevendo. E em homenagem à minha linda, querida e GRANDE amiga Inês Duarte, vou colocar aqui um poema do eugénio de andrade, simplesmente lindo e que eu adaptei e fiz uma música com ele.
Adeus
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certezade que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade