18 de outubro de 2010
Abandono
Choro.
Deixaste-me,
o vazio apodera-se de mim.
Sou só silêncio
e recordações.
Ainda te ouço
(fecho os olhos)
e vejo e sinto,
mas já não estás.
Partiste
e levaste-me contigo.
Esta já não sou eu,
eu fui contigo.
Sonho contigo.
(Talvez tenhas sido sempre um sonho)
Olho-me ao espelho
e não me vejo,
não me reconheço.
Vejo-te a ti.
O meu corpo ainda é teu,
como foi um dia
e (talvez) sepre o será.
Mas tu não queres saber,
foste embora
e eu já não te interesso
(alguma vez te interessei?)
Vieste,
apaixonei-me,
amei-te,
partiste.
Não sei de ti,
"é melhor assim"
dizes-me.
"Porquê?
Para quem?
Para quê?"
Mas nem me respondes,
continuas a viver,
sem mim,
a tua vida,
no teu mundo
(que outrora achei meu).
Só,
tento voltar à vida,
voltar a viver,
sem ti.
Um dia vou conseguir.
vazio
O vazio aperta.
Olho pela janela. É de noite.
Há meses não estava em casa a olhar a janela,
perdida no vazio.
Estava contigo.
Estavamos por aí.
Quantas noites agora, só, me perco na janela,
na televisão,
na parede branca?
Algo que me distraia de ti.
Não sei nada teu,
nao sei de ti,
para ti morri.
Não sei nada
e o vazio aperta.
Olho pela janela. É de noite.
Há meses não estava em casa a olhar a janela,
perdida no vazio.
Estava contigo.
Estavamos por aí.
Quantas noites agora, só, me perco na janela,
na televisão,
na parede branca?
Algo que me distraia de ti.
Não sei nada teu,
nao sei de ti,
para ti morri.
Não sei nada
e o vazio aperta.
13 de outubro de 2010
Ainda sou tua
Ainda sou tua,
O meu corpo ainda é teu,
O espelho ainda reflecte a tua imagem.
Gostava de já não ser tua,
Gostava que o meu corpo já não te pertencesse,
mas pertencesse a quem nunca deveria ter deixado de pertencer,
a mim.
É difícil reconhecer-me de volta,
aceitar-me de novo,
acolher-me outra vez.
Como a mãe que rejeita a cria,
apesar de ser sua.
Porque já cresceu, já está diferente, já não a reconhece.
Assim sou eu,
Já não me reconheço.
Porque um dia fui tua,
Porque ainda o sou.
O meu corpo ainda é teu,
O espelho ainda reflecte a tua imagem.
Gostava de já não ser tua,
Gostava que o meu corpo já não te pertencesse,
mas pertencesse a quem nunca deveria ter deixado de pertencer,
a mim.
É difícil reconhecer-me de volta,
aceitar-me de novo,
acolher-me outra vez.
Como a mãe que rejeita a cria,
apesar de ser sua.
Porque já cresceu, já está diferente, já não a reconhece.
Assim sou eu,
Já não me reconheço.
Porque um dia fui tua,
Porque ainda o sou.
9 de outubro de 2010
Estou cansada
Estou cansada das pessoas.
Estou cansada de jogos,
de sentimentos maus,
de me desiludir,
de ver coisas onde não existem.
Ou existiram?
Amizades que não foram mais
do que sonhos na minha cabeça.
Ando a sonhar muito...
As pessoas cansam-me
porque conseguem ser desumanas às vezes.
Gostam de fingir ser o que não são,
de dizer que são e não são nada.
O cansaço tira-me as forças,
existir custa!
Na nossa ingenuidade nada fizemos
e acusam-nos de termos feito,
de termos dito.
E desiludem-se connosco.
E eu desiludo-me com elas,
as pessoas.
Estou cansada.
Estou cansada de jogos,
de sentimentos maus,
de me desiludir,
de ver coisas onde não existem.
Ou existiram?
Amizades que não foram mais
do que sonhos na minha cabeça.
Ando a sonhar muito...
As pessoas cansam-me
porque conseguem ser desumanas às vezes.
Gostam de fingir ser o que não são,
de dizer que são e não são nada.
O cansaço tira-me as forças,
existir custa!
Na nossa ingenuidade nada fizemos
e acusam-nos de termos feito,
de termos dito.
E desiludem-se connosco.
E eu desiludo-me com elas,
as pessoas.
Estou cansada.
3 de outubro de 2010
Como eu
Hoje o dia chorou, como eu.
Se calhar também está triste, como eu.
Ou triste, ou pensativo, ou melancólico.
Se calhar descobriu que não valeu a pena,
que tudo foi em vão.
Se calhar viu o futuro destruído a seus pés,
o presente um turbilhão,
o passado uma recordação.
Se calhar não é amado,
como eu.
Se calhar também está triste, como eu.
Ou triste, ou pensativo, ou melancólico.
Se calhar descobriu que não valeu a pena,
que tudo foi em vão.
Se calhar viu o futuro destruído a seus pés,
o presente um turbilhão,
o passado uma recordação.
Se calhar não é amado,
como eu.
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